O Regresso de Molyneux e a Ascensão do PC na Sala de Estar
Após falhar a janela de lançamento original prevista para 2025, o estúdio 22cans, liderado por Peter Molyneux, quebrou finalmente o silêncio. A aguardada data de lançamento de Masters of Albion foi oficializada, mas com uma ressalva importante que reflete as atuais movimentações da indústria: o título chegará inicialmente apenas ao PC. O novo “God Game” do criador de Fable estará disponível a 22 de abril de 2026, pontualmente às 18h00 do Reino Unido. Embora exista a esperança de um lançamento para consolas num futuro próximo, a prioridade dada aos computadores é sintomática.
Uma redefinição do género e a procura de redenção
O trailer oficial, recentemente revelado, oferece um olhar renovado sobre o que o lendário criador tem vindo a desenvolver. Desde que o jogo foi avistado pela primeira vez há dois anos, Masters of Albion parece ter percorrido um longo caminho em termos de desenvolvimento visual e mecânico. Molyneux descreve o projeto como uma reinterpretação audaz do género que ele próprio ajudou a definir, prometendo aos jogadores a liberdade de uma verdadeira divindade. No mundo de Albion, não existe uma solução única; os jogadores poderão construir onde quiserem, contratar quem entenderem e exercer o seu poder para esmagar ou persuadir os habitantes.
Esta é, sem dúvida, uma tentativa de redenção. Em outubro passado, a Pure Xbox reportou que Molyneux via este título como uma oportunidade crucial para recuperar a confiança dos fãs após alguns percalços nos últimos anos. Com apenas alguns meses até ao lançamento, resta saber se o célebre designer conseguirá cumprir a promessa de entregar a “experiência definitiva”. A equipa planeia lançar o jogo noutras plataformas posteriormente, mas, por enquanto, o foco está inteiramente na comunidade de PC.
O declínio das consolas tradicionais
A decisão de priorizar o PC em detrimento de um lançamento simultâneo na Xbox alinha-se perfeitamente com as tendências observadas no CES 2026. Enquanto deambulava pelos corredores da feira em Las Vegas, tornou-se evidente que o futuro dos videojogos na sala de estar está a mudar drasticamente de figura. O que outrora era domínio exclusivo das consolas tradicionais está a ser rapidamente conquistado pelo ecossistema PC. A frase “A Xbox está acabada” pode soar hiperbólica, mas a realidade no terreno sugere uma mudança de paradigma.
Os computadores portáteis de gaming tornaram-se uma presença constante nos expositores, lado a lado com os portáteis convencionais. Marcas como a Asus e a Lenovo apresentaram hardware impressionante, incluindo tecnologias de arrefecimento passivo, demonstrando que estas máquinas vieram para ficar. Tal como a Steam Deck da Valve inaugurou a era do PC portátil, espera-se que a futura Steam Machine desencadeie uma nova batalha pelo domínio da sala de estar. Rumores indicam até que o próximo hardware da Xbox poderá basear-se em arquitetura Windows, enquanto a Intel e a AMD disputam a supremacia nos processadores para estes dispositivos móveis.
A omnipresença das “Docks” e a nuvem
A invasão do PC na sala de estar faz-se também através de periféricos. Nos cantos mais recônditos do Centro de Convenções de Las Vegas, multiplicaram-se as estações de ancoragem (docks) destinadas a aparelhos como a Steam Deck, o Lenovo Legion Go e a Asus ROG Ally. Estes acessórios são um produto em alta. Segundo a Valve, 20 por cento dos proprietários da Steam Deck utilizam a estação oficial, sem contar com aqueles que optam por alternativas de terceiros. A experiência de transformar um PC portátil numa consola doméstica, apesar de algumas peculiaridades, é cada vez mais robusta.
Paralelamente, a forma como consumimos jogos na televisão está a evoluir para lá do hardware físico. Ao contrário do que se previa no CES 2015, quando a Razer tentou lançar uma micro-consola Android e se especulava que a Apple TV ou a Amazon Fire Stick dominariam o mercado com jogos casuais, a verdadeira revolução chegou através da “cloud”.
O modelo de jogos móveis na televisão nunca descolou verdadeiramente. Em vez disso, a Nvidia está a ganhar terreno significativo com o GeForce Now. As Smart TVs do futuro não precisarão de processadores gráficos potentes embutidos; a sua função será conectar-se aos servidores da Nvidia e transmitir jogos de PC diretamente da nuvem. Entre lançamentos exclusivos como Masters of Albion e a proliferação de hardware híbrido, a fronteira entre o computador de secretária e o entretenimento no sofá está, definitivamente, a desvanecer-se.