Padrões elaborados de Kené por Sara Flores continuam uma antiga tradição nativa – Colossal
Na Amazônia peruana, o povo Shipibo-Konibo (às vezes também escrito Shipibo-Conibo) viveu ao redor da exuberante bacia do rio Ucayali há milênios. Sua cultura visual é amplamente informada por seus sistemas de crenças e pelo ambiente em que vivem, onde a argila colhida, o algodão selvagem e as plantas usadas para fazer pigmentos sustentam uma tradição artística consistente conhecida como Ken.
A exposição Akinananti in the White Cube ilumina o trabalho da artista Sara Flores, cujos intrincados padrões renderizados com tintas orgânicas feitas à mão dão continuidade a uma antiga tradição nativa. A galeria diz: “Na língua Shipibo, ‘Akinananti’ descreve o trabalho feito com amor e alegria – uma prática e modo de vida enraizado na troca, conexão e cooperação, onde o bem-estar individual é inseparável do equilíbrio coletivo e ambiental para o desenvolvimento da vida e da comunidade.
Flores nasceu em uma pequena comunidade indígena de Tambomayo em 1950, onde aos 14 anos começou a aprender a tradição de Ken de sua mãe. Naquela época, o artesanato era tratado com mais utilidade, pois muitas vezes os tecidos eram desenhados para serem usados em roupas.
Envolvida nos aspectos estéticos e técnicos das obras, que incluem tinturas feitas à mão e intrincados padrões geométricos, a mãe de Flores incutiu a “prática conhecida pelos Shipibo como joni-e ou ‘humanização’”, diz a galeria. ipobekene folhas e pressione-as suavemente nas pálpebras para que ele ‘receba melhor os desenhos’.
Com o tempo, Flores começou a criar obras autônomas, que agora às vezes chegam a vários metros e são esticadas como pinturas. “Ele tinha 75 anos quando fez uma exposição no MALI, o Museu de Arte de Lima”, escreveu Charles Darwent em um ensaio que o acompanha. Akinananti. “O desprezo não é pessoal. ‘A arte popular nunca virá a este museu’, irritou-se um curador há vinte anos. Sua exposição, Não Neteé a primeira obra de um artista indígena nas sete décadas de história do museu.”
O artista colabora agora em peças com as filhas, que herdaram a capacidade técnica e a filosofia de Ken. Juntos, eles processaram materiais da Amazônia, incluindo cascas, folhas e frutos silvestres. Evocando uma sensibilidade tanto no design quanto na intrincada aplicação de mídia, a forma de arte se estende além do objeto físico para abranger a cosmologia e os modos de vida Shipibo-Konibo.
Akinananti continua até 14 de agosto na cidade de Nova York. Coincidiu com a exposição de Flores De outros mundos (De outro mundo) no Pavilhão do Peru da 61ª Bienal de Veneza, que segue até 22 de novembro e também marca a primeira vez que um artista indígena representa o país durante o evento.
©Sara Flores. Foto © Cubo Branco/Eva Herzog