Promotores e inquilinos acusam lei de limitar compra de habitação
A proposta de lei para limitar a compra de habitação na Catalunha, que começou a ser debatida pelo Parlamento, foi rejeitada tanto pelo sector promotor e empresarial como pelos inquilinos, embora por razões diametralmente opostas. Enquanto os primeiros consideram que restringir a utilização de apartamentos pode ser “inconstitucional”, os últimos lamentam que a lei seja insuficiente e apelam a medidas ainda mais fortes.
A Câmara catalã aprovou esta quarta-feira a tramitação da iniciativa promovida pela Câmara dos Comuns pela via expressa e abre-se agora um período de alterações, sendo necessário acrescentar o parecer do Conselho de Garantias Estatutárias. O texto que acabar sendo votado poderá eventualmente mudar, mas as espadas já estão no ar.
A associação de promotores da APCE reagiu de imediato. Segundo o presidente, Xavier Vilajoana, as medidas contidas na lei desincentivariam a oferta e agravariam as dificuldades de acesso a uma casa. A proposta estipula que as casas adquiridas em zonas de mercado em dificuldades só podem ser utilizadas como habitação permanente do comprador ou para arrendamento regular a preços mais elevados, incluindo apartamentos herdados. Além disso, afirma que os compradores só poderão ter uma segunda residência. As câmaras municipais seriam as responsáveis por decidir se aplicariam estas medidas aos seus municípios através dos regulamentos urbanísticos.
O empregador Pimec pede para aumentar a oferta de moradia
Para Vilajoana, estes pontos vão contra o princípio da propriedade privada. Por esta razão, os promotores vão pressionar para que o Tribunal Constitucional seja retirado se o Parlamento acabar por aprová-lo. A Câmara de Propriedade Urbana de Barcelona falou na mesma linha. O seu gestor, Òscar Gorgues, sublinhou que a iniciativa acrescenta “insegurança jurídica” ao mercado imobiliário e afugenta o capital, “necessário para responder às necessidades habitacionais”.
Pimec também enfatizou que as políticas habitacionais na Catalunha deveriam focar mais no aumento da oferta. A associação patronal alertou que muitos proprietários são famílias que investem as suas poupanças numa segunda ou terceira habitação para completar a reforma ou como activo, e alertou que medidas que geram insegurança jurídica podem desencorajar o arrendamento. Por esta razão, propõe incentivos fiscais para rendas estáveis, mais proteção contra ocupações ilegais e atrasos, acelerando a construção de novas casas ou fortalecendo a colaboração público-privada.
A aquisição de apartamentos para investimento caiu para o menor nível em cinco anos, segundo a Tecnocasa e a UPF
O Sindicato dos Inquilinos destacou, em vez disso, que a lei “está cheia de buracos” e será ineficaz na hora de proibir determinadas operações imobiliárias, deixando a sua aplicação nas mãos dos conselhos e ligada à declaração de uma zona tensa. “A proibição deve ser aplicada a todos os locais onde estas práticas especulativas dificultaram o acesso à habitação”, acrescentou o porta-voz, Enric Aragonès.
O setor, porém, destacou que a participação dos investidores no mercado imobiliário foi reduzida nos últimos anos. A última análise do mercado imobiliário da Cátedra Tecnocasa-UPF indica que a compra de apartamentos para investimento passou de 30% em 2023 para 9,9% em 2025, segundo dados internos –A Tecnocasa trabalha principalmente com compradores privados–. Em todo o caso, esta é a percentagem mais baixa desde 2013. Por outro lado, prossegue o estudo, há um aumento no número de proprietários que vendem os apartamentos que tinham para arrendar.