Rumo a 2026: Portugal esmaga Arménia num Dragão em festa e Martínez aponta baterias a Ronaldo
Passaporte carimbado com nota artística
O Estádio do Dragão, no Porto, engalanou-se com as bancadas praticamente lotadas para assistir à confirmação. Num jogo de sentido único a contar para a última jornada do Grupo F de qualificação, a seleção nacional garantiu não só a liderança isolada, mas também o ambicionado bilhete para o Campeonato do Mundo de 2026. E fê-lo com enorme estrondo, aplicando uma goleada à moda antiga por 9-1 à congénere da Arménia.
A cumprir castigo, Cristiano Ronaldo não esteve no relvado, mas a equipa entrou a todo o gás. Logo nos primeiros instantes, após uma investida confusa na área adversária que envolveu um cruzamento de Bernardo Silva, remates bloqueados de Bruno Fernandes e Rafael Leão, e um tiro ao lado de Nélson Semedo, adivinhava-se a tempestade. O nulo foi naturalmente desfeito à passagem do minuto 7. Bruno Fernandes cobrou um livre tenso, o guarda-redes Avagyan atrapalhou-se junto ao poste e Renato Veiga, oportuno, apareceu para encostar de cabeça na recarga.
Contra a corrente do jogo, os visitantes ainda conseguiram gelar o estádio aos 18 minutos. Ranos desceu rapidamente pelo flanco direito do ataque e serviu Eduard Spertsyan, que, antecipando-se a Nélson Semedo, bateu um desamparado Diogo Costa para ditar o empate. O susto, contudo, seria sol de pouca dura.
O rolo compressor português
A resposta lusa foi imediata e avassaladora. Rafael Leão, numa brilhante arrancada pela ala esquerda, quase oferecia o golo a Gonçalo Ramos, valendo à Arménia uma enorme intervenção do seu guardião. O avançado português acabaria mesmo por faturar logo aos 28 minutos. Aproveitando uma falha clamorosa da defesa contrária, Ramos contornou o guarda-redes com frieza e devolveu a vantagem a Portugal.
A partir desse momento, a Arménia ruiu perante a pressão alta da equipa das quinas. Apenas dois minutos depois, uma recuperação de bola em zona subida resultou numa triangulação perfeita à entrada da área entre Semedo, Vitinha e Bruno Fernandes. O médio do Manchester United serviu João Neves, que atirou de primeira, sem qualquer hipótese de defesa. O jovem talento do PSG estava inspirado e, já perto do apito para o descanso (41′), assinou o momento da noite. Na cobrança de um livre direto executado na perfeição, a bola ainda beijou a trave antes de entrar na baliza, fazendo o 4-1.
Ainda a primeira parte não tinha terminado e já Rúben Dias sofria falta dentro da grande área. Chamado à marcação do penálti nos descontos, Bruno Fernandes não tremeu e fixou o 5-1. O domínio manteve-se intacto na etapa complementar, com o número oito da seleção a completar o seu hat-trick com golos aos 51 e 72 minutos, este último novamente de grande penalidade. Já em tempo de compensação (90+2′), Francisco Conceição fechou as contas de um jogo de qualificação memorável.
O peso da lenda nos planos para o Mundial
A exibição de luxo sem a principal figura provou a enorme profundidade do plantel orientado por Roberto Martínez. A verdade é que a preparação e as esperanças para o Mundial de 2026 continuam a passar, de forma inequívoca, por Cristiano Ronaldo. Num mundo do futebol onde o debate sobre quem é o melhor da história — ele ou Lionel Messi — divide eternamente os adeptos, o Campeonato do Mundo perfila-se como o palco provável para um derradeiro cruzamento de destinos entre os dois génios.
Para o selecionador nacional, não há margem para dúvidas ou debates. O técnico já deixou claro que o avançado, atualmente a espalhar os seus golos na liga saudita, continuará a ser a figura central da equipa quando a bola rolar em 2026. Mesmo reconhecendo que o jogador demonstrou recentemente alguma frustração por sentir que o seu clube precisava de mais reforços para ser competitivo, Martínez considera-o o maior futebolista de todos os tempos. Uma distinção que, garante o próprio treinador, não está de todo dependente da conquista do troféu da FIFA.
Um finalizador pragmático rumo à marca mítica
Portugal vai atacar o torneio determinado em levantar a taça, mas o legado do seu capitão está blindado. Recordando a importância vital de CR7 na conquista da Liga das Nações, o selecionador espanhol detalhou, em declarações prévias, a forma como encara o momento atual do jogador.
Toda a gente tem uma opinião sobre Ronaldo, admite o treinador, mas o atleta que chegou à seleção há 21 anos transformou-se. Hoje é um jogador altamente posicional, um avançado de área, um puro finalizador. Martínez encara o facto de ter à disposição o melhor marcador de sempre, que soma impressionantes 25 golos nos últimos 30 jogos com a camisola nacional, como um autêntico presente para qualquer equipa técnica.
Os números apoiam esta visão pragmática. Com 964 golos oficiais na sua conta pessoal, Cristiano Ronaldo mantém uma caminhada obstinada e letal rumo à marca impensável dos 1000 golos. A grande questão agora é saber se o histórico momento acontecerá antes ou durante a grande montra do Mundial de 2026.