O papa hospitalizado trabalha há 12 anos e seu futuro é incerto
CIDADE DO VATICANO –
O líder da Igreja Católica em todo o mundo, Papa Francisco, completou 12 anos como chefe da Igreja Católica na quinta-feira.
O homem de 88 anos estava doente há algum tempo enquanto lutava contra uma pneumonia no Hospital Gemelli, em Roma, onde foi internado em 14 de fevereiro.
A condição do argentino melhorou desde então, com o Vaticano confirmando que ele está bem na noite de quarta-feira, e agora a conversa se volta para quando ele poderá voltar para casa.
Mas a sua hospitalização, a mais longa e difícil do seu papado, levantou sérias dúvidas sobre a sua capacidade de liderar os 1,4 mil milhões de católicos do mundo.
Desacelerando
Francisco já havia se recusado a aceitar sua idade ou problemas de saúde, que o forçaram a usar uma cadeira de rodas há três anos.
Ele manteve uma programação diária de viagens frequentes ao exterior, principalmente uma excursão de 12 dias pela região Ásia-Pacífico em setembro, durante a qual liderou muitas excursões ao ar livre.
Mas os especialistas dizem que sua recuperação pode levar semanas devido à sua idade e problemas de saúde, o que não foi ajudado pela remoção de um de seus pulmões quando era menino.
“Todo o papado ainda está aberto a questões neste momento, incluindo o próprio Francisco”, disse o Padre Michel Kubler, especialista em Vaticano e antigo editor de um jornal religioso francês. Cruzar.
“Ele não sabe como será sua vida quando retornar ao Vaticano, então, é claro, ele tem a opção de renunciar se não aguentar mais”, disse à AFP.
Francisco sempre deixou a porta aberta para renunciar caso a sua saúde piorasse, seguindo o exemplo de Bento XVI, que em 2013 se tornou o primeiro papa desde a Idade Média a renunciar voluntariamente.
Mas os jesuítas distanciaram-se desta ideia recentemente, insistindo que o trabalho é para a vida toda.
Enquanto esteve no hospital, Francisco ministrou missas a importantes cardeais, mas continua a trabalhar intermitentemente, incluindo a assinatura de decretos e a recepção de amigos próximos.
Mas ele perdeu um mês de eventos do Jubileu em 2025, o ano santo em que o papa planejou atrair mais 30 milhões de peregrinos a Roma e ao Vaticano.
E é difícil imaginar que ele estará bem o suficiente para presidir todo o programa de eventos da Páscoa, o período mais sagrado do calendário cristão que se estende por cerca de seis semanas.
Muitos acreditam que Francisco, que não é visto em público desde que foi hospitalizado, deve mudar.
“Este é o fim do papado como o conhecemos até agora”, disse Kubler.
Mudanças inacabadas
Francisco diferiu muito do seu antecessor quando assumiu o cargo, evitando as armadilhas do cargo e chegando aos mais desfavorecidos com a mensagem de que a Igreja pertence a todos.
O ex-arcebispo de Buenos Aires sente-se mais à vontade com a sua equipa do que com os cardeais da Cúria Romana. Francisco deu início a grandes mudanças no Vaticano e fora dele.
Algumas destas mudanças, desde a reforma das finanças do Vaticano até à expansão do papel das mulheres e à abertura da Igreja aos divorciados e aos membros LGBTQ, foram escritas em documentos oficiais.
Mas a grande discussão sobre o futuro da Igreja, chamada Sínodo, não terminou.
E há muitos que ficariam felizes em ver seu trabalho realizado.
Os tradicionalistas opuseram-se fortemente à sua abordagem, e os protestos em África levaram o Vaticano a esclarecer a sua aceitação de bênçãos seculares para casais do mesmo sexo em 2023.
“Gostemos dele ou não, ele mudou de telefone, mas muitas coisas ainda estão pendentes”, disse uma fonte do Vaticano.