Apesar das reservas da Comissão Europeia, o governo mantém o seu objetivo de proibir as redes sociais para menores de 15 anos desde o início do ano letivo
Embora Bruxelas considere o projeto de lei revisto pelo Senado incompatível com a legislação europeia, o governo planeia convocar uma comissão mista para encontrar um compromisso sobre a nova versão do texto.
As redes sociais serão proibidas para menores de 15 anos a partir do início do ano letivo? Em qualquer caso, este continua a ser o objetivo do governo francês, apesar das reservas da Comissão Europeia, anunciou terça-feira o gabinete da ministra dos Assuntos Digitais, Anne Le Hénanff.
“O calendário continua o mesmo para nós e para o Governo. A ambição do Presidente da República era anunciá-lo no dia 1 de setembro”, afirmou o Gabinete durante a teleconferência e acrescentou: “Continuamos no rumo”.
O anúncio surge um dia depois de Bruxelas ter enviado o seu parecer ao governo francês, dado que a proposta de lei em análise pelo Senado corre o risco de ser inconsistente com a legislação europeia.
Um sistema de duas velocidades que não passa
Recorde-se que o texto, na versão original votada pela Assembleia Nacional em Janeiro, previa uma proibição muito ampla, que se aplicava a qualquer “serviço de rede social online prestado por uma plataforma”. Mas o Senado alterou-a no final de Março, criando um sistema de dois níveis, com plataformas sujeitas a uma proibição total para menores de 15 anos e outras que lhes seriam acessíveis com o consentimento de um dos pais.
Segundo o gabinete do ministro, é este duplo sistema – lista negra e isenção parental – que provoca as reservas da Comissão porque significaria “impor novas obrigações às plataformas, o que o Estado não pode fazer na sua legislação nacional”.
“É apenas algo que pode ser resolvido a nível europeu”, afirma esta fonte.
O gabinete do ministro saúda, no entanto, o facto de o parecer da Comissão “confirmar a capacidade dos Estados-membros para promulgar leis” e ser “favorável ao estabelecimento de um limite de idade mínima para acesso às redes sociais nas legislações nacionais”.
Para levar em conta as observações da Comissão, ele garante que em breve será convocada uma comissão mista (CMP), reunindo senadores e deputados, para encontrar um compromisso sobre uma nova versão do texto.
“Esta é também a razão pela qual a Comissão faz observações a fim de orientar eficazmente o trabalho futuro dos parlamentares (…) para orientá-los com precisão no que podem e não podem fazer, dirigir o seu trabalho”, afirma o gabinete.