DESCRIÇÃO. França – Paraguai: “É difícil para mim entender que nenhum cartão foi dado aos paraguaios…” O ex-árbitro Bruno Derrien analisa a arbitragem das 16 da Copa do Mundo.

o essencial
Os paraguaios mereciam mais punição, porque o VAR não interveio mais, o árbitro era muito inexperiente: ex-árbitro com mais de 300 partidas profissionais, Bruno Derrien relembra a arbitragem das oitavas de final da Copa do Mundo entre França e Paraguai, vencida pelos Blues (1 a 0) que causou o fim de uma partida de loteria.

Os franceses têm razão em ficar ofendidos com a arbitragem da partida entre França e Paraguai? Ilgiz Tantashev estava muito solto?

Os franceses levaram três cartões amarelos nesta partida, e os paraguaios, nenhum: é difícil para mim entender. Agora, desde o início desta Copa do Mundo, existe uma filosofia que é deixá-los jogar muito, apitar menos para pequenos contatos. Só que na noite de sábado, muito em breve, os paraguaios vão usar de enganos, provocações, atrasar o jogo. Felizmente, os franceses não caíram nesta armadilha e conseguiram manter a calma. Acho que Didier Deschamps teve um papel importante nisso, principalmente no intervalo e no final da partida.

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Com tudo isso, foi uma partida um tanto complicada para o árbitro. Acho que ele não conseguiu fazer valer a autoridade desde o início da partida e pune. Para mim, existe um paraguaio que não deveria finalizar a partida. Deu duas cotoveladas, uma em Mbappé e outra em Olise (Matías Galarza, nota do editor). O objetivo dos paraguaios era ir para os pênaltis e, portanto, fazer de tudo para atrasar o jogo, defender, ganhar tempo. Já fui árbitro, sei que é difícil.

Imediatamente nos sentimos sobrecarregados…

Vi muito rapidamente na televisão que seria um jogo complicado. E ele deveria sentir isso, deixar as coisas rolarem menos e ser mais firme desde o início com os paraguaios, sancionando-os. Mas ele não fez isso.

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Poderia vir das instruções da FIFA que, como você destacou, incentivaram uma arbitragem mais permissiva desde o início da Copa do Mundo, que na verdade funcionou muito bem até então?

Quando o espírito está bom, você pode deixá-los jogar mais, mas quando o espírito não está bom, você sente que tem um time que não está jogando. Obviamente, as coisas ficam um pouco complicadas. Estas medidas da Fifa foram tomadas nomeadamente para combater as manobras que visam atrasar o reinício do jogo, para garantir que seja mais fluido. Mas no sábado os paraguaios fizeram de tudo para parasitá-lo, por exemplo nunca saíram das curvas. Foi uma partida, eu acho, difícil de julgar. Eu não deveria ter deixado as coisas piorarem.

Algumas pessoas não entendem porque o VAR não é mais usado. Você consegue se lembrar do ponto do acordo?

O VAR foi bem utilizado uma vez, foi na cobrança de pênalti (marcado por Désiré Doué e convertido por Mbappé, único gol da partida, nota do editor). Felizmente existe o VAR, porque o árbitro não apita falta no início. É um pouco uma tendência, os árbitros marcam menos pênaltis, esperam ser acionados pelo VAR. É uma primeira coisa. Depois, o VAR só pode ser utilizado em alguns casos muito específicos, principalmente quando uma falta escapa ao árbitro e merece cartão vermelho. No sábado, em duas ocasiões, tivemos esse jogador (Matías Galarza) que deu uma cotovelada em Mbappé no primeiro tempo, depois deu outra no segundo. Ele esteve em todos os chutes ruins, na provocação, novamente no final da partida o encontramos tentando fazer a caminhada do Mbappé.

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Na sua opinião, algumas dessas faltas mereceram cartão vermelho?

Digamos que este jogador tenha sorte de terminar a partida…

Na sua opinião, Ilgiz Tantashev, um árbitro uzbeque de 41 anos que disputou sua primeira Copa do Mundo, era inexperiente demais para uma partida deste calibre?

Não concordo quando dizemos que os melhores árbitros pertencem aos maiores países do futebol, europeus ou sul-americanos. Também existem árbitros muito bons em países onde o futebol é menos poderoso, menos forte. Em 1998, a final da Copa do Mundo foi dirigida por um árbitro marroquino, Saïd Belqola, que foi muito bom. Ilgiz Tantashev havia arbitrado duas partidas da fase de grupos antes das oitavas de final e não perdeu, caso contrário Pierluigi Collina (ex-árbitro, agora diretor de arbitragem da Fifa, nota do editor) e a comissão de arbitragem nunca o teriam indicado para França – Paraguai. Collina colocou o melhor no momento T. Então, sim, árbitros do campeonato uzbeque, que certamente é menos forte, mas ele arbitrou a final da Liga dos Campeões da Ásia, jogos olímpicos, jogos importantes. Não tem muita experiência, mas já arbitrou partidas importantes.



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