Ryanair exige redução de taxas aeroportuárias e aposta em destinos como Saragoça e Menorca

Ryanair retorna à carga. A companhia aérea insiste em exigir reduções nas taxas aeroportuárias na rede de aeródromos espanholas. Assim, o CEO da companhia aérea, Eddie Wilson, destacou esta quinta-feira no Nova Economia Forum que “Espanha tem de ser competitiva face a outros países europeus” e citou como exemplo a Suécia onde, após a eliminação da taxa ambiental, o tráfego aéreo duplicou e o investimento foi facilitado, segundo as palavras.

O diretor explicou que os 300 aviões que a Ryanair pretende colocar em operação nos próximos cinco anos poderão acabar operando em território espanhol caso se concretize a redução das tarifas exigida pelo diretor da empresa irlandesa. E comparou os aeroportos espanhóis com alguns localizados em países fora da União Europeia, como a Albânia, a Turquia e Marrocos, cada vez mais competitivos, segundo as suas palavras.

Nesta linha, Wilson defendeu que o plano de investimento DORA III, no qual a Aena está a trabalhar, deveria deixar para trás os aeroportos que estão vazios e “encher” tanto estes aeródromos como os hotéis em Espanha. Na sua opinião, é incompreensível que o Governo de Espanha obtenha dividendos próximos de mil milhões de euros enquanto tem terminais vazios, o que qualifica de escandaloso. “Não estamos crescendo no país, porque os aeródromos onde não há passageiros são muito caros”, lamenta.

Ryanair defende que Aena deve trabalhar para “encher” aeroportos e hotéis espanhóis

Questionado sobre os planos da empresa em Espanha, Wilson destacou que existem muitas oportunidades de investimento em destinos “regionais”, como Saragoça e Menorca, ao mesmo tempo que garantiu que ficaria feliz em reabrir uma base em Santiago de Compostela. Indicou ainda que Sevilha e Málaga têm um grande volume de passageiros, mas não Granada ou Jerez, pelo que seria desejável “crescer nestes destinos”. Da mesma forma, também destacou potencial de crescimento no País Basco e em Valladolid. Diante de tudo isso, aeródromos como Madrid, Barcelona e Alicante já apresentam um grande volume de trabalho.

Para estes aeroportos regionais, Wilson tem em mente exemplos como o de Bérgamo (norte de Itália), que, segundo explicou, passou de quase nenhum tráfego aéreo para se tornar o terceiro em volume de passageiros do país transalpino, com 12 milhões de viajantes por ano. Por isso, segundo o CEO da Ryanair, é necessário trabalhar para ter melhores serviços em cada localidade, com ampla oferta comercial e bons parques de estacionamento, entre outros serviços. “As companhias aéreas e os gestores aeroportuários têm uma relação simbiótica e o que não podemos permitir é ter um sistema de monopólio”, observou.

Outros exemplos neste sentido são para ele destinos como Bari e Brindisi (no sul de Itália), “que agora podem ser visitados durante os doze meses do ano”, e também o Porto, o que está a ser feito com viajantes que costumavam passar pelos três aeroportos localizados na Galiza.

Wilson defendeu também que Espanha tem, na sua opinião, “as melhores infraestruturas aeroportuárias da Europa, graças a ter optado há muitos anos por grandes investimentos”. Desta forma, defende que todos estes aeroportos regionais devem ser aproveitados e fazer uso das suas pistas e dos dispositivos de segurança já existentes.

Wilson defende que Barcelona não pode acolher mais turistas se a oferta não mudar

Além disso, a empresa decidirá antes do final deste ano de 2026 se escolhe Sevilha para o novo centro europeu de reparação de motores, o que significaria um investimento de 500 milhões de euros. A capital andaluza concorre com outra possível localização na Polónia.

No que diz respeito a compatibilizar o turismo em ascensão com a sustentabilidade social dos destinos, o CEO da empresa irlandesa tem apontado que um dos problemas é a falta de acesso à habitação, devido ao aumento dos preços, a par do aumento dos apartamentos turísticos. E destacou que será necessário procurar “alternativas à habitação tradicional”, ao mesmo tempo que destacou que “não se consegue trazer mais gente para Barcelona ou Veneza” se a oferta turística não mudar.

O gestor da Ryanair foi apresentado pelo presidente do CEIM e primeiro vice-presidente da CEOE, Miguel Garrido, que criticou que “quando as taxas sobem e quem gera emprego é penalizado, a concorrência está a ser reduzida”. E defendeu que a liberalização aérea permitiu abrir novas rotas em Espanha, baixar preços e dar destaque aos aeroportos que antes não tinham. Ele também destacou que os empregadores não querem infraestruturas subutilizadas.

Garrido defendeu uma “regulamentação proporcional e previsível” e disse que a “melhor” regulamentação é permitir que as empresas concorram e cresçam. Acrescentou que o mercado livre deve ser sagrado e, no que diz respeito ao Governo, criticou que a suposta defesa dos direitos dos cidadãos acaba por ser um obstáculo para todos.



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