Bruxelas continua a examinar a lei francesa e a sua compatibilidade com a legislação europeia antes de uma possível proibição no início do ano letivo
Na quarta-feira, 1 de julho, a Comissão Europeia confirmou que continua a avaliação da lei francesa que visa proibir as redes sociais para menores de 15 anos. Se Bruxelas partilha o objectivo de proteger os menores na Internet, ainda tem de verificar se o texto não contradiz as leis europeias.
Na quarta-feira, 1 de julho, a Comissão Europeia anunciou que continua a avaliar a proposta de lei francesa que proíbe as redes sociais para menores de 15 anos, cuja conformidade com a legislação europeia deve ser verificada. No início de junho, o governo informou o executivo europeu sobre este texto, que deverá apresentar o seu parecer até 10 de julho.
A nível político, “estamos, obviamente, totalmente alinhados com as autoridades francesas no desejo de fazer mais para proteger os menores online”, explicou Thomas Regnier, porta-voz da UE para as tecnologias digitais.
“Prioridade” para a Comissão Europeia
“Esse é o objetivo e a prioridade absoluta da Comissão Europeia, e vemos isso também para as autoridades francesas”, sublinhou.
Contudo, a nível jurídico, “é claro que temos de garantir que qualquer lei nacional, ou neste contexto, um projeto de lei nacional, é compatível com a legislação europeia”, e “esta é a análise que a Comissão está a realizar”, explicou.
Na verdade, a legislação nacional não deve conduzir à “fragmentação” do mercado único europeu, nem à “ultrapassagem das fronteiras da ASD”, a regulamentação europeia sobre serviços digitais. Este texto “já impõe uma série de princípios e obrigações” às plataformas online, pelas quais a Comissão é responsável, lembrou o porta-voz.
O governo francês espera proibir as redes sociais para menores de 15 anos a partir do próximo ano letivo, graças a uma lei atualmente em debate no parlamento.
Este texto da lei, na versão original votada pela Assembleia Nacional, previa uma proibição muito ampla, que se referia a qualquer “serviço de rede social online prestado por uma plataforma”. Mas o Senado modificou o sistema, criando um sistema de duas velocidades, apesar dos avisos do governo, que teme inconsistências com as leis europeias.
Este projeto foi inspirado na proibição que a Austrália introduziu no final de 2025, uma inovação mundial que vários países europeus procuram imitar. A UE está também a considerar a possibilidade de harmonizar essas medidas a nível europeu.