Pequeno réptil do Triássico lança luz sobre a evolução inicial dos lagartos
Hoje, os lepidossauros – um grupo de répteis que inclui lagartos, cobras e o tuatara da Nova Zelândia – estão entre os vertebrados mais diversos da Terra, mas a sua história evolutiva mais antiga permanece pouco compreendida. Uma mandíbula fóssil recém-descoberta no sul do Brasil está ajudando os paleontólogos a juntar a anatomia e a história evolutiva Cargninia enigmáticaum pequeno parente do lepidossauro que viveu no final da era Triássica ao lado de alguns dos primeiros dinossauros.
Uma paisagem do Triássico Superior do sul do Brasil é mostrada Cargninia enigmática observa um dinossauro sauropodomorfo Macrocollum itaquii. Crédito da imagem: Marcio L. Castro.
Cargninia enigmática percorriam nosso planeta durante o início do período Noriano do final do Triássico, cerca de 225 milhões de anos atrás.
Na época, o animal compartilhava seu ambiente com os primeiros dinossauros, parentes mamíferos, répteis primitivos da linhagem dos crocodilianos e vários parentes primitivos do tuatara.
Cargninia enigmática foi originalmente descrito em 2010 a partir de um fragmento da mandíbula.
A espécie pertencia a um grupo denominado Lepidosauromorpha, uma linhagem mais ampla que deu origem aos lepidossauros modernos.
Mas onde exatamente Cargninia enigmática encaixar-se nessa árvore genealógica há muito intriga os paleontólogos.
“Hoje, os Lepidosauria são um grupo diversificado representado por escamatos e tuataras rincocefálicos”, disse a Dra. Lisie Vitória Soares Ladies, da Universidade Federal de Santa Maria e colegas.
“No entanto, a sua origem remonta ao final do período Permiano, quando as linhagens parentais de Lepidosauromorpha e Archosauromorpha divergiram.”
“Dentro da linhagem lepidosauromorfa, várias espécies com posicionamento filogenético instável foram descritas.”
“Nos estratos brasileiros, o único representante desta linhagem é Cargninia enigmáticaum táxon raro conhecido a partir de um único espécime representado por um dentário esquerdo fragmentário.”
“Em 2010, os paleontólogos interpretaram originalmente Cargninia como um lepidossauro não rinocefálico com base na presença de dentes com largura mesiodistal de aproximadamente 0,4-0,5 mm e um suposto padrão de implantação subacródonte.”
“Eles também notaram semelhanças entre implantes dentários Cargninia e de IcarossauroUm réptil kuehneosaurídeo da Formação Lockatong do Triássico Superior dos Estados Unidos.”
“No entanto, eles argumentaram que esta característica por si só não é suficiente para apoiar a atribuição do táxon ao Icarosaurus ou formas estreitamente relacionadas.”
Uma nova cópia Cargninia enigmática foi encontrado na localidade típica, Sítio Linha São Luiz, localizado no município de Faxinal do Soturno, estado do Rio Grande do Sul, Brasil.
O fóssil consiste em uma mandíbula parcial esquerda com menos de 9 mm de comprimento.
Embora incompleto, preservou 12 dentes e evidências de que o animal teria até 18 dentes em seus dentes.
Os pesquisadores usaram microtomografias para examinar a estrutura interna da amostra, permitindo-lhes traçar o caminho do nervo trigêmeo, que governa a sensação e o controle motor da face e da mandíbula.
Eles descobriram que o padrão de ramificação nervosa estava dentro Cargninia enigmática muito semelhante aos lepidossauros vivos.
“Cargninia enigmática provavelmente experimentou seu ambiente, pelo menos em termos de informações sensoriais trigeminais, de uma maneira comparável à de seus parentes existentes”, disseram eles.
Os cientistas também correram Cargninia enigmática por meio de análise filogenética computacional em larga escala.
A espécie apareceu repetidamente como um não-lepidossauro, apoiando a ideia de que representa um ramo inicial que divergiu antes da evolução dos verdadeiros lepidossauros.
“Sua posição filogenética foi explorada pela primeira vez em contexto computacional, e a espécie foi encontrada entre não-lepidosauromorfos, confirmando suposições anteriores”, disseram os autores.
Seu trabalho aparece este mês em Registro anatômico.
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Lísie Vitória Soares Senhoras e outros. Novo fóssil revela anatomia dentária de raro lepidosauromorfo Cargninia enigmática do Triássico Superior do sul do Brasil. Registro anatômicopublicado on-line em 4 de julho de 2026; doi: 10.1002/ar.70268