As plantações de cacau preparam o cenário para eventos divinos no ‘Memento Vivere’ de Marc Padeu – Grande


“Não é que o nosso tempo de vida seja curto, mas é que desperdiçamos a maior parte dele”, escreveu o fiel filósofo Lúcio Sêneca. A frase aparece em seu ensaio “De Brevitate Vitae”, ou “Sobre a curta vida”, que ele rabiscou em um papiro por volta de 49 dC. Quase 2.000 anos depois, suas palavras refletem o que ainda é uma preocupação fundamental da vida – como gastá-la com sabedoria? Para o artista Marc Padeu, a ideia do controle fútil do tempo das pessoas constitui a base de um novo conjunto de obras em Lembrança viva, em exibição a partir de amanhã em Larkin Durey.

Padeu é conhecido por combinar cenas da vida cotidiana com referências a pinturas religiosas renascentistas. Entre as suas obras mais recentes, “La promesse et l’agneau” (“A promessa e o cordeiro”) dá continuidade a este tema de forma mais clara. No centro da composição, uma criança senta-se no colo da mãe, ambas acompanhadas por adultos que transportam presentes e novidades, numa homenagem à tradição artística da Adoração dos Magos, ou presépio.

Detalhes de “A Promessa e o Cordeiro”

Latim para “lembre-se de viver”, o título faz uma homenagem a Sêneca e serve como um lembrete para seguir a vida antes que seja tarde demais. É também um complemento ao tema mais comum da história da arte de lembrança mori, ou “lembre-se de que você morrerá”, que tem um propósito semelhante de lembrar ao espectador que a vida é curta e que qualquer riqueza ou glória que se busca não vale nada quando se está morto. Em vez disso, é importante focar nas coisas que realmente importam: família, natureza, artesanato, etc.

O relato de Padeu descreve os indivíduos e as comunidades que trabalham nas plantações de cacau em sua terra natal, Camarões. “Os dias se sucedem, as colheitas voltam e ainda assim, apesar desse fluxo da vida, suas figuras ficam presas fora do tempo, passando entre o passado, o presente e o futuro”, diz a galeria. O artista infunde em suas composições um sentido do nascimento de Deus e do misterioso sublime. “Cada pintura está entre a promessa e o destino, a luz e a sombra; as figuras existem simultaneamente num reino espiritual e secular, nem santos nem heróis, mas com a consciência crescente de que a vida é um presente frágil.”

Lembrança viva abre em 17 de julho e vai até 14 de agosto em Londres. Veja mais no Instagram do artista.

“Sob o peso de uma xícara” (2026), acrílico sobre tela, 66 7/8 x 78 3/4 polegadas
“Memento vivere” (2026), acrílico sobre tela, 66 7/8 x 78 3/4 polegadas
Detalhes de “Memento Living”
“O Preço da Promessa” (2026), acrílico sobre tela, 59 x 78 3/4 polegadas
“The Shared Path” (2026), acrílico sobre tela, 70 x 47 1/4 polegadas





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