Mergulhe, tome sol, beba Spritz… Em Odessa, na Ucrânia, a vida é mais forte que a guerra
RELATÓRIO – Como um desprezo pela guerra, esta cidade ucraniana localizada à beira do Mar Negro permanece ociosa. Mas nas praias ou nos cafés, a atitude descuidada só se nota e, para os veteranos que ali descansam, aterrar longe da frente é uma nova dificuldade.
Na praia de Langeron*, uma das mais famosas de Odessa, a natação é feita sob supervisão de salva-vidas e atendentes de uma metralhadora Browning, cópia turca, 12,7 mm, colocada na plataforma de uma van. Porque se há perigo é principalmente no céu onde, há vários dias, muitos drones e mísseis tentam penetrar na zona marítima da cidade. No dia 23 de junho, uma jovem, que estava numa praia próxima, ficou gravemente ferida pelos destroços de um alvo caído.
Porém, nos finais de semana, Igor Yanchuk não esperava que os atiradores das Unidades Móveis de Defesa se posicionassem. Ele estava no calçadão da praia desde as cinco da manhã. Enroscou o chapéu de palha na cabeça, alisou a barba e tirou o piano de uma capa, um nobre Decha feito durante a URSS que comprou a Eleanora, uma antiga amante da música que lhe deu por 30 euros. Estando ancorado ao largo da costa, o instrumento sobreviveu a dois tufões que não atingiram o…